Parece, pois, que os exemplares da diffamação do vinho do Porto eram desconhecidos em Portugal. Que fé nos hade merecer a historia e a biographia escripta por contemporaneos, quando o facto social erradamente julgado, ou a vida de um individuo favorecida pela adulação, ou deturpada pelo odio, não tiverem contradictores, tambem coevos, a contrastal-a!

[2] Nota illustrativa.—Joseph Gregorio Lopes da Camara Sinval era esturrado patulêa da Junta rebelde do Porto, e commandára com honras de coronel o batalhão academico. Além d'este predicado faccioso, Sinval tinha o exemplo do austero historiador A. Herculano, que escrevêra: A historia do liberalismo é uma comedia de máo gosto. E, resalvando as duas nobres personagens, D. Pedro IV e Mousinho da Silveira, accrescentára: O resto não vale a penna da menção. São financeiros e barões, viscondes, condes e marquezes de fresca data e mesmo de velha data, commendadores, grão-cruzes e conselheiros: uma turba que grunhe, borborinha, fura, atropellando-se e acotovellando-se, na obra de roer um magro osso, chamado orçamento, e que grita aqui-d'el-rey! quando não póde tomar parte no regabofe. Quanto á «Carta-Gaioso» a gente velha ainda conheceu no Porto a corista d'aquelle appellido que cantou o hymno da Carta Restaurada no theatro de S. João, e desde ahi ficou identificada, a Gaioso, com o codigo das liberdades pátrias.