—Pouco mais terá que me dizer, creio eu.

«Pouco mais, minha senhora; mas esse pouco é importante.

—Se é uma censura ao meu procedimento, digne-se omittil-a, por que sou eu a propria que me censuro.

«Então, snr.ª D. Maria, disse tudo. Faltava-me perguntar-lhe se posso viver em paz com a minha familia. Visto, porém, que v. exc.ª se reprehende pela parte inconveniente que tomou nos amores do snr. Vasco, posso retirar-me com a certeza de que fica suspensa a sua correspondencia com a minha filha.

—A minha? interrompeu ella.

«A de v. exc.ª, queria eu dizer.

—E eu digo a v. exc.ª—replicou D. Maria sensivelmente agastada—que sou mulher, e não posso dar ás suas ironias uma resposta condigna.

O coronel soltou um frouxo de riso, cuja intenção é difficil entender. Era um destes risos subjectivos, (concedam o epytheto) cuja imagem está dentro da pessoa que ri.

D. Maria, enraivecida pela desconsideração, interrogava-o com um olhar soberbo. O coronel, erguendo do pavimento a espada, e sobraçando-a, inclinou profundamente a cabeça, recuou até á porta, e disse:

«Muito boas noites, minha senhora.»