Desembarcaram na Madeira. Durante a passagem, Leocadia nunca pôde prender a attenção de seu marido dous segundos.
Quinze dias depois do desembarque, Francisco de Proença apresenta-se, pela primeira vez, em rigoroso lucto diante de sua mulher.
—Quem lhe morreu?!—perguntou ella.
«A senhora!
—Como?! está delirando!
«Quem morreu foi minha mulher—» tornou elle com uma visagem ridiculamente tragica.
—Pois se morri, eu vou morrer—disse ella com angelica mansidão—o Senhor receba a minha alma.
«A sua alma condemnada ha-de continuar a existir n'um corpo impuro.
—Não quero entender a injuria—disse ella com firmeza—Antes a morte.
«Morreu para mim; mas ha-de viver para o remorso. Eu sou viuvo, senhora. Em Portugal ha-de saber-se que eu sou viuvo. A que foi mulher de Francisco de Proença, terá de hoje em diante outro nome. A senhora jámais dirá que eu sou seu marido: o punhal está sobre o seu seio esperando que essa palavra lhe passe os labios. Dou-lhe a vida, porque vejo o coronel moribundo que me supplica este heroismo...