«Que casa é essa?

—De uma minha amiga—balbuciou Leocadia.

«É admiravel que eu não conheça as amigas da senhora! Como se chama essa amiga?

O padre, aterrado pelo olhar soberano de Proença, disse:

—É a snr.ª D. Maria Maldonado.

O cavalheiro fixou attentamente sua mulher. Leocadia não levantava os olhos do chão. A surpreza reduziu-a ao silencio, que confessa o crime, e é já em si um principio de penitencia.

«Vamos, senhora!—disse Proença.

Decorreram tres dias, sem que Leocadia visse seu marido. Procurou-o, deliberada a convencêl-o da sua innocencia com a sincera historia do seu amor áquelle homem. Proença soubera tudo de sua mãi, e furtava-se ao encontro com sua mulher.

Ao quarto dia, Leocadia foi avisada, da parte de seu marido, que preparasse o seu bahú para viajar, com elle, no dia seguinte. Ella pediu uma entrevista a Francisco de Proença. Respondeu-se-lhe que lá fóra teriam sobejas occasiões. Replicou a infeliz que não podia, que estava muito doente. Disse-se-lhe que em toda a parte havia uma sepultura.

A comitiva dos viajantes era unicamente Thereza. Esta criada convinha ás intenções do marido.{212}