—Mas...—alguem lhe disse—tua mulher estava innocente?

A esta pergunta indiscreta Francisco de Proença titubeava, e não sabia se lhe convinha decidir-se pela absoluta innocencia de Leocadia.

Lá se aveio como pôde com os importunos, até que um dia appareceu com sua mulher resuscitada, e encartada no nome e appellidos que teve quando foi viva.

A presença desta pobre senhora foi, só em si, uma accusação contra seu marido. A desgraçada, quando lhe perguntaram, diante de testemunhas, se era mulher de Francisco de Proença, respondeu:

«Dizem que sou.»

—E a senhora não diz o mesmo?

«Eu sou viuva» tornou ella.

—Então qual dos senhores é viuvo? É original a mania d'ambos—replicou o jurisperito, rindo com os circumstantes, em quanto as lagrimas da herdeira millionaria lhe desciam na face purpurina de pejo.


Não me souberam contar o resto.