Anjo d'Amarante, porque assim te despenhas da tua angelica miryade?

Flôr do Tamega, que nortada rija te desarreigou da balsa?


E a lua passava no céo, velada e triste, como a Niobe antiga.

E o homem de Celorico, de braço dado com a virgem, como qualquer caixeiro em baile d'Asylo de mendicidade, passou de fronte alta, meditando em seu coração um crime, e adoçando nos labios a tenção damnada que lhe fallava n'alma.

E a vaga longinqua resoava um som cavo e lugubre, como gemido de leão.{84}

Homem! tu és forte como o carvalho gigante da encosta; mas o raio sahiu um dia das profundesas do céo, e o tronco, affronta dos seculos, vergou a fronte, e estalou pelas raizes.


E a flôr, tocada por labios impuros, e aspirada com avidez sôffrega, pendeu as petalas desmaiadas, e elanguesceu no seio do maldito dos homens de Celorico.

Fôra profundo e arquejante o suspirar d'aquella que as onze mil duvidosamente receberiam no seu gremio, ainda recommendada pelos jornaes!