Tratei de perguntar o sexo do recem-nascido á primeira pessoa que sahiu do quarto: era D. Mafalda. Cousa{109} extraordinaria! A velha fidalga sahiu como assombrada; e á pergunta que lhe fiz, respondeu: «Isto é da gente se benzer!»
—Que diz v. exc.ª, minha senhora?—repliquei eu—É menino ou menina?
«Eu sei cá... Santo nome de Deus!—balbuciou ella.
Sabem o que então me lembrou, não podendo atinar com o spasmo de D. Mafalda? Se o recem-nascido seria um pequenino centauro, uma aberração da natureza, um monstro, um hermaphrodita! Instei com anciedade nas minhas perguntas, e imaginei que D. Mafalda estava douda, quando me disse que o nascido era rapaz, mas...
«Mas o que, minha senhora, queira acabar...
—Mas é preto!—disse ella, escondendo o rosto nas mãos.
Bento de Castro appareceu n'este momento. Contempla a estupefacção de nós ambos. Pergunta se Hermenigilda está perigosa. Eu fico perplexo; mas o vilipendio do meu pobre amigo vexa-me, punge-me, indigna-me até ao fundo d'alma.
Tomo-lhe o braço, tiro-o para o patim da casa, e digo-lhe:
—Manda sellar immediatamente os nossos cavallos.
«Pois que é?!