Tu não as sonhaste quando o coração desbordava de seiva para renascer de suas mesmas cinzas, se a perfidia o cancerou com a sua peçonha.

Um dia, já tarde, amaste pela primeira vez, quando te deu de rosto e te cegou a luz funesta que desce do céo com os anjos despenhados.

Quando baixaste a face até ao chão onde ajoelhavas em adoração de creança que beija os labios de sua mãe, em adoração de pae que aconchega no seio as mãos de sua filha, sentiste que a deshonra te cravava as garras, e te desentranhava do peito a alma, e t'a expunha em pelourinho infame aos insultos dos que passavam.

Tu não podias ajustar ás faces a mascara que te offereciam as mãos infames da tolerancia.

Ao teu rosto não podiam sahir as lagrimas faceis das almas vulgares por que era sangue, era a vida toda que te haviam arrancado.

E tu premeditaste!.. Oh! não premeditaste nada, infeliz!

Quem contará as horas, os periodos de infernal duração que passaram na tua vida?

Curvaste-te sobre o teu abysmo; e ali quedaste empedrado até que resvalaste nas fauces da voragem.

No teu baque levaste comtigo um cadaver que te abrira o golphão com as mãos ainda quentes dos teus beijos.

Não premeditaste nada, infeliz.