Cada minuto que ia passando estalava-te uma fibra da alma, queimava-te uma particula do cerebro, escaldava-te em veneno dilacerante cada lagrima que te refluia dos olhos.

Não era somente a honra perdida que te excruciava; era a mulher idolatrada que ainda vivia e já te pezava morta no coração.

Ao passo que a mão de ferro da desgraça te batia no seio, tu ias acordando ao estrondo horrivel. Cada instante era o precursor de novas trevas que se iam condensando, era o bago da areia que ia cahindo, era uma esperança derruindo depoz outra, era o ir-se toda a alma espedaçada até esvasiar-se o peito de lagrimas, e encher-se de rancor inexoravel, espicassado pela deshonra e ingratidão.

Oh! tu não premeditaste nada, infeliz!

Os que delinquiram premeditando, não dizem á justiça humana: «Aqui estou! condemna-me!»

FIM.