AQUI JAZ VIVA A MEMORIA
DO JÁ MORTO
MANUEL DE SOUSA COUTINHO,
CAVALHEIRO PORTUGUEZ,
QUE SE NÃO FOSSE PORTUGUEZ AINDA VIVERA.
NÃO MORREU ÁS MÃOS
DE NENHUM CASTELHANO,
MAS SIM ÁS DO AMOR, QUE TUDO PÓCE;
PROCURA SABER SUA VIDA,
E INVEJARÁS SUA MORTE,
PASSAGEIRO.
O qual lido por Periandro confirmou que excede na composição de epitaphios a gente da nação portugueza.
O cavalleiro que entrega o menino recemnascido a Ricla, diz-lhe que seus inimigos o perseguem, e que se por alli passarem e lhe perguntarem por elle, diga-lhes que apenas tinha visto tres ou quatro homens a cavallo que iam gritando á Portugal, á Portugal.
Mais adiante conta o polaco as suas aventuras em Lisboa, onde inopinadamente mata certo fidalgo, filho de uma senhora, em cuja casa se refugia o assassino para subtrahir-se á justiça; a mãe do assassinado sem saber do caso, esconde-o por detraz dos tapetes de sua mesma alcova, tem a generosidade de não o entregar á justiça depois de saber do crime que o seu protegido havia commettido, e para não faltar á hospitalidade perdôa-lhe, e dá-lhe fuga pela porta occulta de seu jardim.
Ao fallar Cervantes de Valencia e de suas lindas mulheres, diz que é gracioso o dialecto valenciano, e que só com o idioma portuguez puede competir en ser dulce y agradable.
O sumptuoso palacio de Manases em que se hospedaram os peregrinos em Roma achava-se situado junto ao arco de Portugal.
Emfim, o retrato da bellissima Auristela feito em Lisboa por um pintor portuguez, foi por outro pintor comprado em França e d'alli transportado á Hespanha.
Na
Viagem do Parnaso
, canto IV, depois de descrever o autor a deidade que personifica a Poesia, e de dizer que o Sul lhe brinda perolas, Sabea perfumes, o Tiber ouro, e Hibla suavidade, continúa:
«Galas Milan, y lusitania amores.»
Mais adiante e no mesmo canto lê-se:
«Aquel discreto Juan de Basconcellos
Venia delante en un caballo bayo,
Dando á las musas lusitanas celos.
E pouco depois: