N'uma memoria a tal respeito recentemente publicada, diz elle entre outras cousas, o seguinte:
«No assumpto (de Lourenço Marques) somos tão directamente interessados, que devemos tirar partido das circumstancias, e prepararmo-nos da maneira mais vantajosa para promover a prosperidade do districto de Lourenço Marques.
«Lembremo-nos de que persistindo nós na politica de isolamento e inacção que nos teem distinguido, estamol-o criminosamente conservando agrilhoado a um revoltante estacionamento; fica inutil para nós e inutil para os outros.
«Lourenço Marques sem o caminho de ferro não passa do que tem sido ha 300 annos; não porque não tenha em si os recursos para o seu desenvolvimento; mas porque não ha entre nós o genio colonisador, não ha iniciativa e não ha capitaes.
«A Africa felizmente é grande bastante, e tem logar para muita gente; está porém ainda n'um tal estado de atrazo e mesmo tão pouco conhecida em geral, que ha alli muito campo para que todos trabalhemos sem nos acotovelarmos e incommodarmos mutuamente.
«Concorra cada um segundo suas forças para o concerto geral e unisono, e veremos que os beneficos resultados se não hão de fazer esperar muito. Pelo facto de sermos nós os possuidores do melhor porto de toda a costa da Africa austral e oriental, desde o cabo da Boa Esperança até Moçambique, não é licito já hoje que conservemos fechado esse porto, e o territorio adjacente ao nosso e os territorios estrangeiros que com elle confinam, privados dos beneficios civilisadores que elles teem direito a exigir da nossa dominação de tantos annos.
«A politica das nossas auctoridades na costa oriental deveria ser uma politica de cordura, de intelligencia e de conciliação para com os nossos visinhos, attenuar em vez de avolumar, umas mesquinhas e mal entendidas rivalidades que nascem em alguns individuos pouco instruidos, ou mesmo mal intencionados, e a que só uma imprensa que falseie a sua missão, pode dar importancia e corpo.
«E antes de mais nada, lembremo-nos de que em assumptos africanos, parar é retroceder, é demolir o que está feito, é ser inevitavelmente atropellado. Trabalhar é a civilisação, é o engrandecimento do nosso bom nome, é a perpetuação das nossas passadas tradições.
«Trabalhemos pois, cada um no seu tanto, cada um conforme as suas forças, cada um por seu modo, mas todos com a mira no grande lábaro sagrado que se chama a patria».
Com aquelle enthusiasmo que nasce da convicção profunda, assim se expressava o sr. Castilho, pouco antes da nova feição que o assumpto tomou, em vista do addiamento da sua solução, pela recusa da camara electiva do parlamento portuguez em ratifical-o; addiamento votado em 7 do corrente junho, um anno depois da negociação concluida, como se um anno não fosse prazo demasiado para pensar na importancia de uma convenção, que por seu caracter de internacional não deveria estar sujeita áquellas contingencias comesinhas, a que se subordinam as questões concernentes ás ninharias de regimen interno.