I
N'um castello deserto e solitario,
Toda de preto, ás horas silenciosas,
Envolve-se nas pregas d'um sudario
E chora como as grandes criminosas.
Podesse eu ser o lenço de Bruxellas
Em que ella esconde as lagrimas singellas.
II
E loura como as doces escocezas,
D'uma belleza ideal, quasi indecisa;
Circumda-se de luto e de tristezas
E excede a melancolica Artemisa.
Fosse eu os seus vestidos afogados
E havia de escutar-lhe os seus peccados.
III
Alta noite, os planetas argentados
Deslisam um olhar macio e vago
Nos seus olhos de pranto marejados
E nas aguas mansissimas do lago
Podesse eu ser a lua, a lua terna,
E faria que a noite fosse eterna.