E os abutres e os corvos fazem giros
De roda das ameias e dos pégos,
E nas salas resoam uns suspiros
Dolentes como as supplicas dos cegos.
Fosse eu aquellas aves de pilhagem
E cercara-lhe a fronte, em homenagem.
V
E ella vaga nas praias rumorosas,
Triste como as rainhas desthronadas,
A contemplar as gondolas airosas,
Que passam, a giorno illuminadas.
Podesse eu ser o rude gondoleiro
E alli é que fizera o meu cruzeiro.
VI
De dia, entre os veludos e entre as sedas,
Murmurando palavras afflictivas,
Vagueia nas umbrosas alamedas
E acarinha, de leve, as sensitivas.
Fosse eu aquellas arvores frondosas
E prendera-lhe as roupas vaporosas.
VII
Ou domina, a rezar, no pavimento
Da capella onde outr'ora se ouviu missa,
A musica dulcissima do vento
E o sussuro do mar, que s'espreguiça.