Podesse eu ser o mar e os meus desejos
Eram ir borrifar-lhe os pés, com beijos.
VIII
E ás horas do crepusculo saudosas,
Nos parques com tapetes cultivados,
Quando ella passa curvam-se amorosas
As estatuas dos seus antepassados.
Fosse eu tambem granito e a minha vida
Era vêl-a a chorar arrependida.
IX
No palacio isolado como um monge,
Erram as velhas almas dos precítos,
E nas noites de inverno ouvem-se ao longe
Os lamentos dos naufragos afflictos.
Podesse eu ter tambem uma procella
E as lentas agonias ao pé d'ella!
X
E ás lages, no silencio dos mosteiros,
Ella conta o seu drama negregado,
E o vasto carmesim dos resposteiros
Ondula como um mar ensanguentado.
Fossem aquellas mil tapeçarias
Nossas mortalhas quentes e sombrias.