E aos outros eu admiro os dorsos, os costados
Como lajões. Os bons trabalhadores!
Os filhos das lezirias, dos montados;
Os das planicies, altos, aprumados;
Os das montanhas, baixos, trepadores!

Mas fina de feições, o queixo hostil, distincto,
Furtiva a tiritar em suas pelles,
Espanta-me a actrizita que hoje pinto,
N'este dezembro energico, succinto,
E n'estes sitios suburbanos, reles!

Como animaes communs, que uma picada esquente,
Elles, bovinos, masculos, ossudos,
Encaram-n'a sanguinea, brutamente:
E ella vacilla, hesita impaciente
Sobre as botinhas de tacões agudos.

Porém, desempenhando o seu papel na peça,
Sem que inda o publico a passagem abra,
O demonico arrisca-se, atravessa
Covas, entulhos, lamaçaes, depressa,
Com seus pésinhos rapidos, de cabra!

NOITES GELIDAS

MERINA

Rosto comprido, airosa, angelical, macia,
Por vezes, a allemã que eu sigo e que me agrada,
Mais alva que o luar de inverno que me esfria,
Nas ruas a que o gaz dá noites de ballada;
Sob os abafos bons que o Norte escolheria,
Com seu passinho curto e em suas lãs forrada,
Recorda-me a elegancia, a graça, a galhardia
De uma ovelhinha branca, ingenua e delicada.

SARDENTA

Tu, n'esse corpo completo,
Ó lactea virgem doirada,
Tens o lymphatico aspecto
D'uma camelia melada.

FLORES VELHAS