FRIGIDA

I

Balzac é meu rival, minha senhora ingleza!
Eu quero-a porque odeio as carnações redondas!
Mas elle eternisou-lhe a singular belleza
E eu turbo-me ao deter seus olhos côr das ondas.

II

Admiro-a. A sua longa e placida estatura
Expõe a magestade austera dos invernos.
Não cora no seu todo a timida candura;
Dansam a paz dos ceos e o assombro dos infernos.

III

Eu vejo-a caminhar, fleugmatica, irritante,
N'uma das mãos franzindo um lenço de cambraia!…
Ninguem me prende assim, funebre, extravagante,
Quando arregaça e ondula a preguiçosa saia!

IV

Ouso esperar, talvez, que o seu amor me acoite,
Mas nunca a fitarei d'uma maneira franca;
Traz o esplendor do Dia e as pallidez da Noite,
É, como o Sol, dourada, e, como a Lua, branca!

V