O seu vagar occulta uma elasticidade
Que deve dar um gosto amargo e deleitoso,
E a sua glacial impassibilidade
Exalta o meu desejo e irrita o meu nervoso.

XI

Porem, não arderei aos seus contactos frios,
E não me enroscará nos serpentinos braços:
Receio supportar febrões e calefrios;
Adoro no seu corpo os movimentos lassos.

XII

E se uma vez me abrisse o collo transparente,
E me osculasse, emfim, flexivel e submisso,
Eu julgaria ouvir alguem, agudamente,
Nas trevas, a cortar pedaços de cortiça!

DE VERÃO

A Eduardo Coelho

I

No campo; eu acho n'elle a musa que me anima:
A claridade, a robustez, a acção.
Esta manhã, saí com minha prima,
Em que eu noto a mais sincera estima
E a mais completa e séria educação.

II