N'isto, parando, como alguem que se analysa,
Sem desprender do chão teus olhos castos,
Tu começaste, harmonica, indecisa,
A arregaçar a chita, alegre e lisa
Da tua cauda um poucochinho a rastos.

VIII

Espreitam-te, por cima, as frestas dos celleiros;
O sol abrasa as terras já ceifadas,
E alvejam-te, na sombra dos pinheiros,
Sobre os teus pés decentes, verdadeiros,
As saias curtas, frescas, engommadas.

IX

E, como quem saltasse, extravagantemente,
Um rego d'agua sem se enxovalhar,
Tu, a austera, a gentil, a intelligente,
Depois de bem composta, déste á frente
Uma pernada comica, vulgar!

X

Exotica! E cheguei-me ao pé de ti. Que vejo!
No atalho enxuto, e branco das espigas
Caidas das carradas no salmejo,
Esguio e a negrejar em um cortejo,
Destaca-se um carreiro de formigas.

XI

Ellas, em sociedade, espertas, diligentes,
Na natureza trémula de sede,
Arrastam bichos, uvas e sementes;
E atulha, por instincto, previdentes,
Seus antros quasi occultos na parede.

XII