E quando alguns ficavam nos palheiros,
E de manhã catavam os piolhos:
Emquanto o sol batia nos restolhos
E os nossos cães ladravam, resingueiros!
Hoje entristeço. Lembro-me dos coxos,
Dos surdos, dos manhosos, dos manetas.
Sulcavam as calçadas, de muletas;
Cantavam, no pomar, os pintarroxos!
III
HISTORIAS
Scismatico, doente, azedo, apoquentado,
Eu agourava o crime, as facas, a enxovia,
Assim que um besuntão dos taes se apercebia
Da minha blusa azul e branca, de riscado.
Minaveis, ao serão, a cabecita loira,
Com contos de provincia, ingenuas creaditas:
Quadrilhas assaltando as quintas mais bonitas,
E pondo a gente fina, em postas, de salmoira!
Na noite velha, a mim, como tições ardendo,
Fitavam-me os olhões pesados das ciganas;
Deitavam-n'os o fogo aos predios e arribanas;
Cercava-me um incendio ensanguentado, horrendo.
E eu que era um cavallão, eu que fazia pinos,
Eu que jogava a pedra, eu que corria tanto;
Sonhava que os ladrões—homens de quem m'espanto
Roubavam para azeite a carne dos meninos!
E protegia-te eu, n'aquelle outomno brando,
Mal tu sentias, entre as serras esmoitadas,
Gritos de maioraes, mugidos de boiadas,
Branca de susto, meiga e miope, estacando!