Tu visitavas, esmoler, garrida,
Umas creanças n'um casal queimado;
E eu, pela estrada, espicaçava o gado,
N'uma attitude esperta e decidida.
Por lobishomens, por papões, por bruxas,
Nunca soffremos o menor receio.
Temieis vós, porém, o meu aceio,
Mendigasitas sordidas, gorduchas!
Vicios, sezões, epidemias, furtos,
De certo, fermentavam entre lixos;
Que podridão cobria aquelles bichos!
E que luar nos teus fatinhos curtos!
* * * * *
Sei de uma pobre, apenas, sem desleixos,
Ruça, descalça, a trote nos atalhos,
E que lavava o corpo e os seus retalhos
No rio, ao pé dos choupos e dos freixos.
E a douda a quem chamavam a «Ratada»
E que fallava só! Que antipathia!
E se com ella a malta contendia,
Quanta indecencia! Quanta palavrada!
Uns operarios, n'estes descampados,
Tambem surdiam, de chapeu de côco,
Dizendo-se, de olhar rebelde e louco,
Artistas despedidos, desgraçados.
Muitos! E um bebedo—o Camões—que fôra
Rico, e morreu a mendigar, zarolho,
Com uma pala verde sobre um olho!
Tivera ovelhas, bois, mulher, lavoura.
E o resto? Bandos de selvagensinhos:
Um nú que se gabava de maroto;
Um, que cortada a mão, coçava o coto,
E os bons que nos tratavam por padrinhos.
Pediam fatos, botas, cobertores!
Outro jogava bem o pau, e vinha
Chorar, humilde, junto da coxinha!
«Cinco réisinhos!… Nobres bemfeitores!…