N'um impeto de seiva os arvoredos fartos,
N'uma opulenta furia as novidades todas,
Como uma universal celebração de bodas,
Amaram-se! E depois houve soberbos partos.

Por isso, o chefe antigo e bom da nossa casa,
Triste d'ouvir fallar em orphãos e em viuvas,
E em permanencia olhando o horizonte em brasa,
Não quiz voltar senão depois das grandes chuvas.

Elle d'um lado, via os filhos achacados,
Um livido flagello e uma molestia horrenda!
E via, do outro lado, eiras, lezirias, prados,
E um salutar refugio e um lucro na vivenda!

E o campo, desde então, segundo o que me lembro,
É todo o meu amor de todos estes annos!
Nós vamos para lá; somos provincianos,
Desde o calor de maio aos frios de novembro!

II

Que de fructa! E que fresca e temporã,
Nas duas boas quintas bem muradas,
Em que o sol, nos talhões e nas latadas,
Bate de chapa, logo de manhã!

O laranjal de folhas negrejantes,
(Porque os terrenos são resvaladiços)
Desce em socalcos todos os macissos,
Como uma escadaria de gigantes.

Das courellas, que criam cereaes,
De que os donos—ainda!—pagam foros.
Dividem-n'o fechados pitosporos,
Abrigos de raizes verticaes.

Ao meio, a casaria branca assenta
Á beira da calçada, que divide
Os escuros pomares de pevide,
Da vinha, n'uma encosta soalhenta!

Entretanto, nao ha maior prazer
Do que, na placidez das duas horas,
Ouvir e ver, entre o chiar das noras,
No largo tanque as bicas a correr!