Muito ao fundo, entre olmeiros seculares,
Secca o rio! Em trez mezes d'estiagem,
O seu leito é um atalho de passagem,
Pedregosissimo, entre dois logares.
Como lhe luzem seixos e burgaus
Roliçõs! Marinham nas ladeiras
Os renques africanos das piteiras,
Que como áloes espigam altos paus!
Montanhas inda mais longiquamente,
Com restevas, e combros como boças,
Lembram cabeças estupendas, grossas,
De cabello grisalho, muito rente.
E, a contrastar, nos valles, em geral,
Como em vidraça d'uma enorme estufa,
Tudo se attrae, se impõe, alarga e entufa,
D'uma vitalidade equatorial!
Que de frugalidades nós criamos!
Que torrão espontaneo que nós somos!
Pela outomnal maturação dos pomos,
Com a carga, no chão pousam os ramos.
E assim postas, nos barros e areiaes,
As maceiras vergadas fortemente,
Parecem, d'uma fauna surprehendente,
Os polypos enormes, diluviaes.
Comtudo, nós não temos na fazenda
Nem uma planta só de mero ornato!
Cada pé mostra-se util, é sensato,
Por mais finos aromas que rescenda!
Finalmente, na fertil depressão,
Nada se vê que a nossa mão não regre:
A florescencias d'um matiz alegre
Mostra um sinal—a fructificação!
* * * * *
Ora, ha dez annos, n'este chão de lava
E argila e areia e alluviões dispersas,
Entre especies botanicas diversas,
Forte, a nossa familia radiava!