Unicamente, a minha doce irmã,
Como uma tenue e immaculada rosa,
Dava a nota galante e melindrosa
Na trabalheira rustica, aldeã.
E foi n'um anno prodigo, excellente,
Cuja amargura nada sei que adoce,
Que nós perdemos essa flor precoce,
Que cresceu e morreu rapidamente!
Ai d'aquelles que nascem n'este cahos,
E, sendo fracos, sejam generosos!
As doenças assaltam os bondosos
E—custa a crer—deixam viver os maus!
* * * * *
Fecho os olhos cançados, e descrevo
Das telas da memoria retocadas,
Biscates, hortas, batataes, latadas,
No paiz montanhoso, com relevo!
Ah! Que aspectos benignos e ruraes
N'esta localidade tudo tinha,
Ao ires, com o banco de palhinha,
Para a sombra que faz nos parreiraes!
Ah! Quando a calma, á sesta, nem consente
Que uma folha se mova ou se desmanche,
Tu, refeita e feliz com o teu «lunch»,
Nos ajudavas, voluntariamente!…
Era admiravel—n'este grau do Sul!—
Entre a rama avistar o teu rosto alvo,
Ver-te escolhendo a uva diagalvo,
Que eu embarcava para Liverpool.
A exportação de frutas era um jogo:
Dependiam da sorte do mercado
O boal, que é de perolas formado,
E o ferral, que é ardente e côr de fogo!
Em agosto, ao calor canicular,
Os passaros e enxames tudo infestam;
Tu cortavas os bagos que não prestam
Com a tua thesoura de bordar.