Douradas, pequeninas, as abelhas,
E negros, volumosos, os besoiros,
Circumdavam, com impetos de toiros,
As tuas candidissimas orelhas.

Se uma vespa lançava o seu ferrão
Na tua cutis—petala de leite!—
Nós collocavamos dez réis e azeite
Sobre a galante, a rosea inflammação!

E se um de nós, já farto, arrenegado,
Com o chapeo caçava a bicharia,
Cada zangão voando, á luz do dia,
Lembrava o teu dedal arremessado.

* * * * *

Que d'encantos! Na força do calor
Desabrochavas no padrão da bata,
E, surgindo da gola e da gravata,
Teu pescoço era o caule d'uma flor!

Mas que cegueira a minha! Do teu porte
A fina curva, a indefinida linha,
Com bondades d'herbivora mansinha,
Eram prenuncios de fraqueza e morte!

Á procura da libra e do «schilling»,
Eu andava abstracto e sem que visse
Que o teu alvor romantico de «miss»
Te obrigava a morrer antes de mim!

E antes tu, ser lindissimo, nas faces
Tivesses «panno» como as camponezas;
E sem brancuras, sem delicadezas,
Vigorosa e plebeia, inda durasses!

Uns modos de carnivora feroz
Podias ter em vez de inoffensivos;
Tinhas caninos, tinhas incisivos,
E podias ser rude como nós!

Pois n'este sítio, que era de sequeiro,
Todo o genero ardente resistia,
E, á larguissima luz do Meio-dia,
Tomava um tom opalico e trigueiro!