Era a chlorose, esse tremendo mal,
Que desertou e que tornou funesta
A nossa branca habitação em festa
Reverberando a luz meridional.
Não desejemos,—nós os sem defeitos,—
Que os tysicos pereçam! Má theoria,
Se pelos meus o apuro principia,
Se a Morte nos procura em nossos leitos!
A mim mesmo, que tenho a pretensão
De ter saude, a mim que adoro a pompa
Das forças, pode ser que se me rompa
Uma arteria, e me mine uma lesão.
Nós outros, teus irmãos, teus companheiros,
Vamos abrindo um matagal de dores!
E somos rijos como os serradores!
E positivos como os engenheiros!
Porém, hostis, sobresaltados, sós,
Os homens architectam mil projectos
De victoria! E eu duvido que os meus netos
Morram de velhos como os meus avós!
Porque, parece, ou fortes ou velhacos
Serão apenas os sobreviventes;
E ha pessoas sinceras e clementes,
E troncos grossos com seus ramos fracos!
E que fazer se a geração decae!
Se a seiva genealogica se gasta!
Tudo empobrece! Extingue-se uma casta!
Morre o filho primeiro do que o pai!
Mas seja como for, tudo se sente
Da tua ausencia! Ah! como o ar nos falta,
Ó flor cortada, susceptivel, alta,
Que assim seccaste prematuramente!
Eu que de vezes tenho o desprazer
De reflectir no tumulo! E medito
No eterno Incognoscivel infinito,
Que as idéas não podem abranger!
Como em paul em que nem cresça a junca
Sei d'almas estagnadas! Nós absortos,
Temos ainda o culto pelos Mortos,
Esses ausentes que não voltam nunca!