Não valem nada a cava, a enxofra, e o mais!
Difficultoso trato das cearas!
Lutas constantes sobre as jornas caras!
Compras de bois nas feiras annuaes!
O que a alegria em nós destroe e mata,
Não é rede arrastante d'escalracho,
Nem é «suão» queimante como um facho,
Nem invasões bulhosas d'herva pata.
Podia ter seccado o poço em que eu
Me debruçava e te pregava sustos,
E mais as hervas, arvores e arbustos
Que—tanta vez!—a tua mão colheu.
«Molestia negra» nem «charbon» não era,
Como um archote incendiando as parras!
Tão pouco as bastas e invisiveis garras,
Da enorme legião do phylloxera!
Podiam mesmo, com o que contêm,
Os muros ter caido às invernias!
Somos fortes! As nossas energias
Tudo vencem e domam muito bem!
Que os rios, sim, que como touros mugem,
Transbordando atulhassem as regueiras!
Chorassem de resina as larangeiras!
Ennegrecessem outras com ferrugem!
As turvas cheias de novembro, em vez
Do nateiro subtil que fertilisa,
Fossem a inundação que tudo pisa,
No rebanho afogassem muita rez!
Ah! N'esse caso pouco se perdera,
Pois isso tudo era um pequeno damno,
Á vista do cruel destino humano
Que os dedos te fazia como cera!
Era essa tysica em terceiro grau,
Que nos enchia a todos de cuidado,
Te curvava e te dava um ar alado
Como quem vae voar d'um mundo mau.
Era a desolação que inda nos mina
(Porque o fastio é bem peior que a fome)
Que a meu pai deu a curva que a consome,
E a minha mãe cabellos de platina.