Mas hoje a rustica lavoura, quer
Seja o patrão, quer seja o jornaleiro,
Que inferno! Em vão o lavrador rasteiro
E a filharada lidam, e a mulher!…
Desde o princípio ao fim é uma maçada
De mil demonios! Torna-se preciso
Ter-se muito vigor, muito juizo
Para trazer a vida equilibrada!
Hoje eu sei quanto custam a criar
As cepas, desde que eu as pódo e empo.
Ah! O campo não é um passatempo
Com bucolismos, rouxinoes, luar.
A nós tudo nos rouba e nos dizima:
O rapazio, o imposto, as pardaladas,
As osgas peçonhentas, achatadas,
E as abelhas que engordam na vindima.
E o pulgão, a lagarta, os caracoes,
E ha inda, alem do mais com que se ateima,
As intemperies, o granizo, a queima,
E a concorrencia com os hespanhoes.
Na vendas, os vinhateiros d'Almeria
Competem contra os nossos fazendeiros.
Dão frutas aos leilões dos estrangeiros,
Por uma cotação que nos desvia!
Pois tantos contras, rudes como são,
Forte e teimoso, o camponez destroe-os!
Venham de lá pesados os comboyos
E os «buques» estivados no porão!
Não, não é justo que eu a culpa lance
Sobre estes nadas! Puras bagatellas!
Nós não vivemos só de coisas bellas,
Nem tudo corre como n'um romance!
Para a Terra parir hade ter dor,
E é para obter as asperas verdades,
Que os agronomos cursam nas cidades,
E, á sua custa, aprende o lavrador.
Ah! Não eram insectos nem as aves
Que nos dariam dias tão difficeis,
Se vós, sabios, na gente descobrisseis
Como se curam as doenças graves.