* * * * *

Os fruteiros, tostados pelos soes,
Tinham passado, muita vez, a raia,
E, espertos, entre os mais da sua laia,
—Pobres camponios—eram uns heroes.

E por isso, com phrases imprevistas,
E colorido e estylo e valentia,
As «haciendas» que ha na «Andalucia»
Pintavam como novos paysagistas.

De como, ás calmas, n'essas excursões,
Tinham aguas salobras por refrescos;
E amarellos, enormes, gigantescos,
Lá batiam o queixo com sesões!

Tinham corrido já na adusta Hespanha,
Todo um fertil plató sem arvoredos,
Onde armavam barracas nos vinhedos,
Como tendas alegres de campanha.

Que pragas castelhanas, que alegrão,
Quanto contavam scenas de pousadas!
Adoravam as cintas encarnadas
E as côres, como os pretos do sertáo!

E tinham, sem que a lei a tal obrigue,
A educação vistosa das viagens!
Uns por terra partiam e estalagens,
Outros, aos montes, no convez d'um brigue!

Só um havia, triste e sem fallar
Que arrastava a maior misantropia,
E, roxo como um figado, bebia
O vinho tinto que eu mandava dar!

Pobre da minha geração exangue
De ricos! Antes, como os abrutados,
Andar com uns sapatos encebados,
E ter riqueza chimica no sangue!

* * * * *