Haja fé na salvação do paiz e o paiz salvar-se-ha. Porém se Portugal, no correr dos annos, tiver algum dia de baixar á cova, que possa ao menos uma cruz negra dizer ás gerações futuras, no cemiterio das nações: Aqui jaz um povo que viveu como honesto e morreu como bravo.
FIM
POST-SCRIPTUM
Depois de estar na imprensa este pequeno trabalho deram-se dois factos importantes: a rendição de Metz aos Prussianos e uma crise ministerial no governo do nosso paiz.
N'esta approximação não vae a menor sombra de epigramma. É uma questão de datas. Nada mais e nada menos.
Á puridade se affirma que não se quer estabelecer relação alguma entre Moltke, ou Bismark, com os homens d'estado que estão gerindo os negocios de Portugal.
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Caiu Metz. A toupeira napoleonica parece ter minado o baluarte aonde cento e cincoenta mil soldados albergavam a honra militar, que, violentamente affrontada em Sedan, fôra depositar nas mãos de Bazaine as tradições gloriosas do exercito francez.
Pobre França! Se assim foi, não bastava que vinte annos de compressão e de immoralidade te houvessem debilitado o braço e o coração; faltava-te ainda que um marechal do imperio te arrancasse parte da armadura, a fim de que a lança inimiga te chegue melhor ao corpo nu, quando um clarão de patriotismo começava a tingir em côr de sangue as barricadas heroicas de Saint-Quintin e Chateaudun!
Pobre mãe abandonada! Não era pouco que os teus proprios filhos para ahi te deixassem rasgar o seio ás mãos da soldadesca de alem-Rheno; faltava-te ainda que um d'elles, arrancando a corôa virginal da cidade impolluta, te ferisse com ella no rosto, quando lhe sorrias de esperança, por entre as lagrimas de teu penoso martyrio!