Na presença das traições de que é victima a França, não cabe o coração no peito de quem tem alma para sentir, e uma parte d'elle vôa a consubstanciar-se no do povo cuja tunica parece estar sendo jogada por Napoleão sobre um tambor prussiano.

Para quem está escrevendo as presentes linhas, a causa da França, em guerra com a Prussia, foi sempre a do interesse liberal e portuguez.

Bonaparte era um accidente que o furacão podia varrer.

O rei Guilherme é um systema, que terá sempre por objectivo a cruz da espada no calvario da liberdade politica.

Hoje, porém, collabora o sentimento com a razão.

Se o prisioneiro de Wilhelmshohe viesse a Paris sobre um canhão de
Krupp, antes Rochefort na presidencia do que Bonaparte no throno.

Antes o incendio do que a podridão.

Antes o sangue do que o lodo.

A desordem pode passar. A deshonra fica.

Se a restauração consolidasse um precedente de tal ordem, a moralidade espavorida teria de arrancar o vôo do occidente da Europa, levando comsigo nas azas os ultimos lampejos da decencia e as ultimas vibrações do patriotismo.