Praza a Deos que a França possa guardar esse resto, sem subverter os alicerces da sociedade, no desculpavel delirio de uma nação que vê a morte de perto.

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Em Portugal correm as cousas menos tragicamente.

Organisou-se uma administração debaixo da presidencia do sr. marquez d'Avila e de Bolama, o mais attendido conselheiro da finada dictadura, e sob a immediata inspiração do sr. bispo de Vizeu, um dos mais intrataveis adversarios da situação creada pelo sr. duque de Saldanha.

Esta incompatibilidade, que já dera anteriormente em resultado a saída do sr. marquez d'Avila e de Bolama do gabinete presidido pelo sr. marquez de Sá da Bandeira, produziu novamente… a juncção d'esse cavalheiro e do sr. bispo nos bancos do poder.

Ha, pois, governo, mas segundo o verdadeiro espirito do systema representativo não ha ministerio, porque os actuaes conselheiros da corôa, pessoas individualmente dignas de todo o respeito pelos seus dotes de coração e de intelligencia, não representam mais do que uma colligação de homens, sem corpo de doutrinas que os possam graduar em representação de partido.

Que não ha um verdadeiro partido atraz do governo, prova-o tambem exuberantemente a necessidade, em que se julgaram ver os organisadores da situação, de irem buscar alguns ministros fóra do parlamento, o que constitue uma violação flagrante das praticas constitucionaes e seria um erro indisculpavel se houvesse um partido ministerial, forte e preponderante, que tivesse dentro de si os elementos para a gerencia de todas as pastas.

Este raciocinio deve forçosamente ser exacto porque é impossivel que os deputados verdadeiramente ministeriaes, se os houvesse, se deixassem preterir em publico, como pessoas, por outros cavalheiros de opiniões pouco definidas, e que não haviam recebido o sacramento da confirmação na urna popular.

Viverá, portanto, o novo governo o tempo que vivem as rosas; ou durará o que as rosas não duram, se lh'o consentirem as opposições que lhe estão defronte e que farão bom serviço ao paiz não precipitando nova crise, que teria de resolver-se por alguma nova colligação.

Impotencia diante de perplexidade. Governo sem força na presença de opposição sem norte certo.