E ainda não será chegada a opportunidade de regularisar a politica do paiz?
O que obsta a que se comecem a agrupar desde já os elementos progressistas que andam dispersos por historicos, regeneradores e reformistas, e reconstruam um verdadeiro partido, adoptando um programma, não de sonoras banalidades mas de pontos determinados, indicando desde logo a maneira pela qual os resolveriam no dia em que fossem poder?
O que impede que façam outro tanto os elementos conservadores, espalhados igualmente por historicos, regeneradores e reformistas, e que podem até achar dentro do governo actual um chefe, que trocaria assim uma posição falsissima por outra mais digna de um homem d'estado?
Resolvida esta natural e indispensavel delimitação, porque não auxiliariam ambos os partidos o gabinete, não a resolver a questão de fazenda, porque essa não se resolve só com impostos e córtes na despeza, mas a votar, desde já, os tributos e as economias que são urgentissimos para desaffogar o thesouro das necessidades mais ameaçadoras?
Feito este grande serviço; organisados os partidos durante as treguas, porque não se feriria depois uma grande batalha parlamentar entre progressistas e conservadores, indo o governo a quem saisse victorioso da lucta?
É possivel que reagissem contra estas indicações salvadoras os estados maiores de algumas das actuaes parcialidades, os quaes talvez desejem que subsistam as divisões existentes, para terem maior importancia dentro de seus pequeninos exercitos.
Se isto é verdade, prepare-se então o paiz, e com tempo, a fim de que, chegado o momento opportuno, possa dar a lei a quem se mostrar rebelde aos conselhos do interesse publico.
Se proceder com energia e concerto, poderá impor aos seus representantes condições de boa politica e ter governos estaveis, obviando igualmente a que dissoluções repetidas corrompam cada vez mais os costumes da nação.
Porém se continuar a permittir a anarchia politica em que está vivendo a responsabilidade será sua.
As consequencias d'ella já se estão sentido.