Em 1845, S. Francisco, a antiga Yerba Buena dos mexicanos, contava 1.500 moradores; accusa o recenseamento ultimo cerca de 300.000.
Valle entre morros parallelos, entremeado de outeiros, com o seu magnifico porto e as suas casas brancas, guarnecidas ordinariamente de varandas, trasbordantes de plantas tropicaes, nota-se em sua physionomia algo da do Rio de Janeiro.
Mas as ruas são ali mais largas e limpas, usando commummente numeros em logar de nomes; os edificios mais altos; o typo architectonico mais extravagante; a população mais heterogenea e vivaz, talvez offerecendo ainda vestigios dos audaciosos aventureiros de que descende. Em compensação menos grandiosa do que a nossa a natureza, somenos a perspectiva, e inferior a bahia em extensão, magestade, segurança e bellezas naturaes.
Entre as construcções normaes de Frisco, destacam a miude torres, cupulas, columnatas. Causa surpreza a infinidade de fios telegraphicos suspensos em póstes e nos telhados. Galgam ingremes collinas filas de bonds movidos por um cabo metallico que róla occultamente dentro de apertado tubo, no meio dos trilhos, abaixo do nivel do caminho. Por meio de um apparelho em forma de pinça, o vehiculo se engata facilmente no motor.
Interessante a enseada, na qual ancoram navios tripolados de gente extranha, oriunda de mysteriosas regiões asiaticas.
A communicação com o pleno mar faz-se, como na capital brazileira, por estreito corredor,—porta de ouro (Golden Gate) chamado.
Descortina-se d’esse ponto esplendido panorama,—feliz combinação de ilhas, montanhas, planicies, agglomerações caprichosas de predios, sob amplissimo horizonte assiduamente colorido de violentos e sumptuosos matizes.
A originalidade de S. Francisco, porém, reside no seu quarteirão chinez.