—Não acha, cavalheiro, ser impossivel na natureza perspectiva superior a esta?!

—Perdão, repliquei. Julgo com effeito admiravel o espectaculo que presenciamos. A bahia do Rio de Janeiro, porém, excede incomparavelmente em bellezas a de S. Francisco.

—Que bahia?!... indagou ella, qual se não houvesse apprehendido o nome.

—A do Rio de Janeiro, capital do Brazil.

—Ah!... Pertence porventura o cavalheiro a semelhante terra?... murmurou com surpreza satyrica, depois de ligeira pausa.

Á minha affirmativa, a desconhecida guardou lentamente o binoculo no estojo pendente a tiracollo, e saccou do bolso uma d’essas lunetas encaixilhadas em tartaruga, que tem longo cabo perpendicular aos vidros. Limpou com o lenço devagarinho esses vidros e, em seguida, assestou-os sobre mim, mirando-me da cabeça aos pés, como se eu fôra um animal raro.

Supportei imperturbavel o impertinente exame, fixando a pesquizadora sem pestanejar.

Ao fim, soltando uma risada:

—Pois ninguem acreditaria,—declarou,—que o cavalheiro nascesse no Brazil. Está bem certo d’isso?...