—Como assim?!...

—Eu suppunha que o Brazil só produzisse negros e selvagens.

—Enganou-se, como vê. Em geral, ignoram a minha patria no estrangeiro, ou não tributam a devida justiça á sua civilisação.

—Eu conheço perfeitamente o Brazil,—interrompeu ella. É uma zona extensissima, cheia de florestas, na qual o vomito preto dizima os indigenas, onde perdura a barbaria da escravidão e governa patriarchalmente ha 50 annos um velho rei, muito sabio e bom...

—Illude-se ainda,—retorqui friamente. O Brazil é um paiz civilisado, o mais civilisado e prospero da America Latina.

Ella desfechou uma grande gargalhada insolente, mostrando soberbos dentes agudos e alvissimos.

—Lá, pelo menos,—terminei, a voz um tanto acre,—as mulheres costumam ser discretas e os homens sabem ser polidos.

Com a arrogante luneta, novamente a desconhecida submetteu-me a demorada investigação.

Curvou-se, depois, n’uma mesura ironica, exclamando: