Amofinavam-me estes dicterios, tanto mais quanto não me occorriam argumentos para os refutar. Resolvi deixal-os passar desattendidamente.
Miss Jackson me emprestara livros budhistas,—para me suavisar a dôr ao influxo da mais elevada philosophia concebida,—ponderara gravemente ao entregar-m’os.
Engolphei-me na leitura da legenda de Sakya-Muni, o iniciador da religião da vontade, justiça e affinidade. Divertio-me o estudo dos Upadhis, do Kama-Loka, dos Skandhas, do caminho de Bodhi e do Nirvana.
A imagem de Lupe se esvaeceu rapida de meu espirito, onde reconheci que deixara apenas superficial impressão.
Contribuio tambem efficazmente para distrahir-me Herr Pfeiffer, o engenheiro hollandez.
Occupado com a mexicana, eu desdenhara a companhia d’esse varão conspicuo,—calmo, retrahido, intelligentissimo e possuidor de solido saber.
Após Acapulco, tornei-me seu camarada e pude apreciar a sua cerebração equilibrada, o seu bom senso nitido e seguro, os seus conhecimentos positivos, em contraste com as imaginações transcendentes de Miss Jackson.
Era pessôa de 40 annos, barba e cabellos ruivos, oculos, um curto cachimbo inamovivel do canto da bocca.
Casado, deixara a esposa e cinco filhos em Rotterdam.
Não ligava inteira fé ao successo do emprehendimento de Lesseps, opinando que o canal entre o Pacifico e o Atlantico devia ser perfurado mais ao norte, em Tehuantepec. Mas no Panamá, concluia, ha immenso a ganhar e a aprender.