E agora?...

Agora era uma onda de amargura levantada no coração pelas más novas; era o receio do que iria encontrar; era a ameaça do destino que lhe afogava a garganta; era o prognostico de um sortilegio sinistro que lhe opprimia as entranhas, em que se estava gerando o futuro Rei de Portugal.

O Duque de Lancastre, aparentando mocidade, apezar dos seus sessenta e tantos annos, ia tambem apprehensivo, embora desfarçasse a perturbação que lhe trazia ao animo tantas interrogações inquietadoras.

Até que ponto a morte provavel do genro alteraria a situação, e perjudicaria o exito das suas ambições?

Aos espiritos de todos os outros que acompanhavam a Rainha affluiam semelhantemente incertezas afflictivas.

Em alguns, (almas generosas, incondicionalmente devotadas ao Rei,) dominava a angustia e o receio de o perderem, sem a mistura de outro sentimento.

Outros pesavam dentro em si, n’aquella balança de egoismo, inseparavel da natureza humana, os prós e os contras que um desenlace funesto traria ás conveniencias proprias. E o interesse, a principal força determinante das acções dos homens, segredava-lhes perfidamente soluções diversas para o seu proceder ulterior.

Se a creança nascesse viavel, quem seria o Regente na menoridade?

Se, porém, a Rainha não désse á luz um herdeiro a quem iria de vez o governo do Reino?

Do lado de Castella redobrariam as pretenções!...