O tribunal em vista de, pelo processo «não se provar bastantemente o contrario», decidiu o litigio em favor do Infante que já andava enfadado e desgostoso.

As bodas effectuaram-se. O Infante D. Fernando e sua mulher foram viver para Abrantes.

Pairava, porém, não sei que sinistro e agourento destino sobre o casal. Poucos annos depois de unidos, achando-se o Infante na villa de Azinhaga, referiu a alguns fidalgos, seus intimos, que sonhára n’essa noite ter visto sahir de sua casa em Abrantes, trez tumbas cobertas de negro. Não fez caso. Mas no dia seguinte recebeu recado de ter morrido n’aquella villa a filha unica que lhe restava. E partindo para alli a consolar sua mulher, morreu em Novembro, e ella em Dezembro.

Estava cumprido o sonho. Os fados tinham vingado o Marquez de Torres Novas.

Qual a verdade sobre os factos e sentimentos dos auctores d’este drama?

Qual o segredo do coração de D. Guiomar?

Um leve manto de mysterio ficou sempre entrecobrindo a romanesca historia. E a phantasia, tão propria de cerebros peninsulares, foi bordando sobre o assumpto lendas sentimentaes.

Ainda no meiado do seculo passado, Camillo Castello Branco n’um drama ultra-romantico, intitulado o Marquez de Torres Novas, (por signal bem inferior ao seu talento) architecta uma inverosimil acção eivada de erros historicos e de aleijões nos caracteres.

A versão official, que os chronistas estamparam, dá a entender que o Marquez, por ser muito novo e mal aconselhado urdiu aquelle enredo sem que na realidade tivesse havido união clandestina.

Elle proprio alguns annos depois, movido talvez por um sentimento cavalheiroso, escrevia á Rainha D. Catharina: