«Fui prezo e depois degredado da côrte por culpas que se offereceram, o que eu não confesso, nem Deus tal queira, eram alheias e não minhas nem de Sua Alteza por nossa edade, e d’isto porque não pareça que allego com testemunhas mortas, ainda poderei mostrar papeis ou papel, em que mostraria minha innocencia contra quem me culpasse.»

O chronista-mór, Francisco de Andrade, que viveu poucos annos depois dos acontecimentos acaba o capitulo em que os refere com estas palavras:

«A apressada morte de ambos (D. Guiomar e D. Fernando) e dos filhos que d’elles nasceram e a ruina da casa Marialva que tambem se apagou de todo foi occasião de haver no reino alguns juizos sobre este casamento e não faltou quem houvesse n’este caso por justa a sentença do céo.»

Juizes do Deus!


E a Duqueza de Coimbra D. Brites de Vilhena?

Essa, que, emquanto rapariga moça, tantas paixões levantou, foi durante os 30 annos de casamento a mais devotada companheira do mestre D. Jorge. Com elle esteve sempre no desterro em Setubal, e, entregando-se a obras piedosas, fundou juntamente com o marido o mosteiro de S. João d’aquella villa, onde entraram trez filhas suas, e onde se mandou sepultar.

Para a sua morte, que succedeu pelos annos de 1580, não contribuiram pouco os desgostos causados pelo escandalo levantado pelo filho, e o desterro d’este.

Nenhum dos Poetas que celebraram a sua formosura entoou endechas á sua morte. A Perigosa deixára de o ser e ia esquecendo...

O Duque que lhe sobreviveu muitos annos procurou consolações.