De uma, ou de mais que uma innominada (passageiros amores!) ficaram trez filhos todos D. Jorges, e todos clerigos, e ainda uma filha D. Joanna de Lancastre que foi recolhida no Mosteiro de Santos-o-Novo.

N’esse Mosteiro era commendadeira, já quasi octogenaria, e muito envelhecida, D. Anna de Mendoça, antiga amante de D. João II, e mãe do Senhor D. Jorge, Duque de Coimbra.

Levava vida exemplar.

O Duque, ou por ver sua mãe, ou para tratar da administração da Ordem de Santiago, a que o convento pertencia, vinha ás vezes de Setubal a Lisboa, aposentando-se n’uns quartos junto ao real Mosteiro.

D’alli fazia repetidas visitas ao Paço, desde a reconciliação com os Soberanos.

N’esse anno de mil quinhentos e quarenta e tantos, a estada em Lisboa foi prolongando-se. As sahidas succediam-se cada vez mais a miudo, comprazendo-se o mestre em frequentar principalmente a casa da Rainha D. Catharina.

Em torno da Soberana enxameava por esse tempo um bando de damas, algumas formosissimas, outras de graça encantadora, e quasi todas de espirito scintillante.

D. Jorge, habil no galanteio, doneador e bom cortezão, embora já serodio, deleitava-se na pratica do regio gyneceu, e deliciava com os seus ditos aquelle esquadrão volante das Donas e Donzellas da Camara.

Entre estas ultimas havia uma de dezeseis annos, que lhe prendia mais a attenção. Era D. Maria Manoel, filha de D. Francisco de Lima, já fallecido, e de D. Francisca de Vilhena, que fôra dama da Rainha.

O Duque, em tempo, fizera á mãe uma pontinha de côrte.