El-Rei D. João II, porém, logo que se desfez summariamente do Duque, determinou ao tenebroso Antão de Faria que mandasse crear o pequeno em segredo e longe da Côrte, na casa de um lavrador de Portel... não fosse a creança, pela sua origem, crear-lhe difficuldades de futuro.
A essa obscura villa alemtejana mandou El-rei D. Manoel, quando subiu ao throno, buscar o sobrinhito, e casou-o com D. Joanna de Noronha, da casa de Villa Real, nomeando-o em seguida Condestavel.
Foi d’esta união, de pouca dura, que nasceu em 1501 a linda Brites em quem, segundo a phrase do conspicuo D. Antonio Caetano de Sousa, a natureza «ajuntou descrição e formosura sobre o real sangue que lhe deu o nascimento, que fez a esta senhora tão esclarecida, que a habilitava digna consorte de um soberano.»
E quasi esteve a sel-o.
Vejamos como.
A sua meninez passou-se junto da mãe, a Condestabelleza viuva, e a sua radiante mocidade illuminou os salões dos Paços de El-Rei D. Manoel, seu tio-avô, que se revia n’ella desvanecidamente.
Ainda ia nos quatorze annos, e já em volta lhe borboleteavam pretendentes; uns presos da sua belleza, outros attrahidos pela sua grande fortuna, e situação eminente. Quantos!
A Condestabelleza viuva era irmã de Marquez de Villa Real, D. Fernando. Este tinha um filho—o Conde de Alcoutim—e para elle ambicionava a appetecida sobrinha.
Por seu lado o Duque de Bragança, D. Jayme, que frequentava assiduamente a casa de sua prima, (os Villa Reaes eram primos dos Braganças), via enlevado o desabrochar promettedor de D. Brites, cujo rostinho enfeitiçava todos em redor. Alguem chegou até a julgar que o sorumbatico Duque, visitava D. Joanna de Noronha porque «estando hi sua filha bordada de louçainhas» se sentia elle proprio namorado, pretendendo-a para si.