Camões canta as glorias do Portugal de Antanho.
Na toada d’este vocabulo escuta-se como que um echo da voz longinqua das gerações extinctas. E sente-se n’elle não sei que perfume de saudade, tão portuguez, que é lastima pensar que portuguezes o vão esquecendo.
Ha na lingua ingleza duas palavras semelhaveis entre si que designam com propriedade feliz o duplo sentido que pode ter o termo—Historia.
History quando na apreciação dos factos o historiador os liga e explica com leis, que a sciencia ensina. Story quando o chronista ou o narrador conta casos ou evoca figuras, deixando o leitor avaliar a importancia do que á vista da sua alma apparece.
A primeira é como que orgão pomposo de cathedral tangido pelos pontifices da Sciencia.
A segunda é o maneirinho harmonium chromatico, que papagueia sem emphase tudo quanto o compositor organista fareja nos codices, ou desentranha da tradição, ou desencanta nas lendas avitas, repetidas á lareira.
Não imaginem, porém, que vão encontrar n’este livro Historias da Carochinha ou Contos de Fadas, taes como nol-as narravam as velhas creadas de nossas Avós:
«Era uma vez uma Princeza, que se agradou de um pastor...» Não!
As velhas cuvilheiras morreram ha muito, e não deixaram successores.