D’esta é que sabemos como epilogou o romance.

Vamos a vêl-o.


Já contámos como o Duque de Aveiro se retirara rabugento para Setubal, quando El-Rei lhe embaraçou a pretensão de casar com a filha do Duque de Bragança e de casar sua irmã D. Helena com o Duque de Barcellos.

Foi tal o seu desprazer (diz D. Antonio Caetano de Sousa), deu-se por tão sentido, que não cuidou mais durante a vida de seu pae em tomar estado.

Os casamentos e os casos de amor fizeram por um capricho do destino segregar muita bilis a este D. João de Lancastre, filho da gentil «Perigosa», e do Senhor D. Jorge, aquelle que nascera num episodio romantico de D. João II.

Na mocidade tivera a louca pretensão de se declarar casado com D. Guiomar Coutinho, filha do Conde de Marialva, o que tantos dissabores lhe dera. Depois fôra o desvairo de seu pae (e d’esse achaque não estava então ainda curado) intentando, perto dos setenta, casar com D. Maria Manoel mocinha de dezeseis annos, ao que elle Duque de Aveiro tivera de se oppôr com uma energia que deu brado. Em seguida viera a contrariedade de lhe impedirem a alliança com os Braganças. Agora chegavam-lhe aos ouvidos rumores que misturavam o seu nome entre os dos personagens do caso de Santarem.

—Que significaria esta atoarda? Perguntava a si proprio o Duque quando no inverno de 1547 se achava em Evora convalescendo, (talvez do figado combalido) e que El-Rei o mandou chamar a Almeirim onde estava a Côrte.

—Que lhe quereria El-Rei?

Até então nunca fôra Sua Alteza prodigo para com elle em graças, intimidades ou bons dias.