—«E o potro que vos trouxe o Almoxarife de Beja, sahiu bom?»
Entendeu o Barão o remoque e disse promptamente:
—«Senhor sahiu um sendeiro.»
De outra vez, refere o bom do Suppico, estando El-Rei em despacho com o Barão d’Alvito e o Secretario Damião Dias se leu a petição de um rendeiro que estava preso por 500 cruzados que devia á Fazenda. El-Rei perdoou-lhe 300. O Barão mandou logo passar a Provisão d’essas partes mas o Secretario entrou em duvida sobre a quantia, o que originou disputa entre os dois magistrados. Atalhou então o Rei dizendo:
—«Pois que, cada um de vós me entendeu em differente fórma razão é que me incline para a melhor parte». E perdoou tudo a esse homem.
Este pequeno episodio, se demonstra a generosidade de El-Rei, dá tambem a medida da boa harmonia entre o monarcha e o seu Secretario das Finanças.
Isto pelo que respeita á plena rehabilitação do pae.
Com referencia ao filho, D. João Lobo, accusado dos crimes de diffamação, arrombamento, e outras acções feias praticadas em detrimento da reputação da filha da Marqueza de Villa Real, sabemos que nem sequer foi obrigado a partir para o degredo. E, se chegou a sahir do Reino, voltou logo. Mas ainda melhor demonstra não só o perdão, o apreço em que vieram a ser tidas as suas qualidades, o alvará de Abril de 1560, que o nomeia por morte do seu pae, Védor da Fazenda com o ordenado de cento e oito mil e trezentos e trinta e trez reaes, fóra os emolumentos que deviam ser importantes.
Assentou, assim, como em chão de relva humida, a poeirada que o episodio do estouvado D. João levantara.
Não é conhecido, já o dissemos, o destino que teve a ardilosa camareira que, por espirito de intriga, ou de ganancia (auri sacra fames, que ataca ainda os mais humildes) ou talvez por erotica paixão, teceu a teia em que se iam enredando os Alvitos e a nobre Juliana.