São simples productos de uma olaria indigena todos nascidos do mesmo sentir portuguez; d’aqui são terrantezes, e todos modelados com o barro da mesma barreira amassado com agua dos nossos rios, e cosidos com o calor do sol que nos aquece.
Tem talvez por isso um ar de familia que os irmana e em cada qual o leitor encontrará uma feição caracteristica da nossa raça tão rica de qualidades typicas.
Abrindo ao publico esta nova sala da minha galeria não quero comtudo obrigal-o a uma visita enfadonha de museu, com Baedecker em punho, forçando-o á contemplação de quadros consagrados pelas indicações banaes dos Guias dos viajantes.
Convido-o apenas, mais outra vez, a uma digressão livre, na companhia de cicerones caseiros cujas arengas são buscadas nos melhores alfarrabios.
Com o auxilio do bom Fernão Lopes, e das tradições locaes, conseguiremos obter um logar junto á estacada para assistirmos á lucta de duas valentonas da edade-média, perante D. Filippa de Lancastre e a sua côrte.
O palreiro conego Braz da Motta levar-nos-ha a Almeirim, ao Paço dos nossos Reis, onde tomaremos parte nos festejos com que se celebraram as bodas dos Duques de Aveiro.
Com Francisco de Andrade e D. Antonio Caetano de Sousa auscultaremos o coração serodio do Senhor D. Jorge, perdido de amores, aos 70 annos, pela tenrinha D. Maria Manoel.
E guiados pelas proprias confidencias escutaremos as pulsações do amoroso Francisco de Moraes, o Palmeirim, rendido aos pés da bella Torcy.
Com o nosso contemporaneo, o erudito Prestage, entraremos de passagem no carcere onde D. Francisco Manoel de Mello encastellava periodos sonoros, e amaldiçoava a sua paixão amorosa.
Depois, acompanhados por Duarte Nunes de Leão seguiremos attentos as peripecias que provocaram a vingança da filha de Pedro Nunes, o cosmographo, e as aventuras da heroica amazona aveirense, Antonia Rodrigues, hoje homem, ámanhã mulher, que deixou brado em Mazagão.