[[77]] «Yo estuve en el castillo de la Mina del Rey de Portugal.» Veja-se a Historia de las Indias, de Las Casas, contemporaneo do almirante. (Navarrete. Collection de Doc., etc. I. LXII). Na biographia antes citada, escripta por D. Fernando Colombo, encontra-se a mesma asserção. Em quanto ás outras viagens, Las Casas diz, que o almirante «affirma haber navegado muchas veces de Lisbona a Guinéa.» As datas, porém, são duvidosas, e o proprio D. Fernando Colombo confessa não saber bem quando tiveram logar estas viagens de seu pae.

[[78]] É a data marcada por Herrera (Historia de las Ind. ocid., dec. I, libr. I, cap. VII).

[[79]] É evidente que a designação empregada era a usada e vulgar entre os portuguezes. Colombo, como antes Cadamosto, A. da Nolle e outros, fez as suas viagens nos navios portuguezes, unicos que então se dirigiam para a Africa. O celebre genovez pelo seu casamento com a filha de Bartholomeu Perestrello, homem principal, e demais mui versado na navegação, tinha adquirido muitas relações em Portugal, e tão portuguez se havia tornado, que Toscanelli, seu compatriota, parece olvidar-se da sua nacionalidade e confundil-o com os portuguezes dizendo-lhe em uma carta, se não admira da sua grande coragem, e da de toda a nação portugueza, na qual sempre houve homens assinalados em todas as empresas: «Non mi maraviglio che tu, che sei di gran cuore, e tutta la natione Portoghese, la quale ha havuto sempre huomini segnalati in tutte le imprese etc.» segunda carta de Toscanelli a Colombo inserida na (Hist. del signor D. Fernando Colombo etc. cap. VIII).

Las Casas diz, do modo o mais explicito, que as viagens a Guiné foram feitas em companhia dos portuguezes «y assi navegó algunas veces aquel camino en compania de los portuguezes, como persona ya vecina y quasi natural de Portugal.» (Hist. de las Indias. Collec. de doc. etc. t. LXII). Estas informações colheu Las Casas da boca de D. Diogo Colombo, filho do almirante.

[[80]] Eis as localidades mencionadas na descripção da costa da Malagueta por Duarte Pacheco.

Cabo do Monte.Rio dos Cestos.Rio de S. Vicente.
Cabo Mesurado.Ilha da Palma.Praia dos Escravos.
Matta de Santa Maria.Ilhéos.Lagea.
Rio de S. Paulo.Cabo Formoso.Cabo de S. Cremente.
Rio do Junco.Resgate do Genovez.Cabo das Palmas.

É facil definir a situação da maior parte d'estas localidades. Na excellente obra de A. M. de Castilho, encontram-se o Cabo do Monte, Cabo Mesurado, Rio de S. Paulo, Rio dos Juncos, Rio dos Cestos, Ilha da Palma e Cabo das Palmas (Descr. e Rot. da costa occ. de Africa, I, p. 264 a 301 e mappa VIII), situados por modo, que não póde haver duvida em serem as localidades mencionadas, com os mesmos nomes, por Duarte Pacheco.

As outras designações, ou não se encontram no Roteiro como são a Matta de Santa Maria, os Ilhéos, o Resgate do Genovez, o Rio de S. Vicente, a Praia dos Escravos e a Lagea, ou se encontram applicados por modo diverso d'aquelle, que se adopta no Esmeraldo, como são o Cabo Formoso e o de S. Clemente.

A Matta de S. Maria é uma localidade bem conhecida, situada logo adiante do Mesurado, e aonde segundo a relação de Cadamosto, já muitas vezes citada, terminou a viagem de Pero de Cintra.

O Cabo Formoso do Roteiro de Castilho não póde ser o Cabo Formoso do Esmeraldo. De feito o primeiro, a Ponta Timbo de algumas cartas (Rot. p. 276), fica ao norte do Rio dos Cestos; em quanto que o do Esmeraldo demora muito ao sul, a 7 leguas da Ilha da Palma, e ainda ao sul dos Ilhéos. Deve corresponder á Ponta de Baffa ou á Ponta Tassou (Rot. p. 282). Não ha erro da parte de Duarte Pacheco em o collocar n'esta situação, pois temos uma prova de que segue a nomenclatura usada no seu tempo. Na carta de João Freire, de 1546, vem do mesmo modo Ilha da Palma, Ilhéo Cayado (é um dos ilhéos citados no Esmeraldo, e ahi se diz, que eram muito brancos, d'onde lhe veiu o nome) e depois Cabo Formoso, por tanto na mesma successão que adopta o nosso auctor.