Segue-se o Resgate do Genovez, assim chamado porque um marinheiro genovez foi o primeiro que ahi resgatou malagueta, deverá collocar-se nas proximidades de Battoa Grande (Rot. p. 284).

O Rio de S. Vicente é talvez o Rio do Sino (Rot. pag. 285): em quanto á Praia dos Escravos, que tinha, no dizer de Pacheco, duas leguas de extensão, é sem duvida a parte do littoral aonde vem desembocar os pequenos rios Dru, dos Escravos e Ferroowah (Rot. pag. 290 a 292).

A Lagea, rochedo separado da costa coisa de um quarto de legua, póde com alguma duvida, identificar-se com o Carpenter rock ao mar da Ponta de Setre (Rot., pag. 293).

Em quanto ao Cabo de S. Clemente, tambem não concorda a sua posição com a que vem no Roteiro: Castilho dá este nome á Ponta de Battoa Grande, sendo certo que o Cabo de S. Clemente de Duarte Pacheco fica muito para o sul, e já proximo ao Cabo das Palmas. Deve, me parece, corresponder á Ponta dos Bretons ou á de Fish town. (Rot. pag. 297). Na carta de Freire, que não vi, mas de que o visconde de Santarem transcreve os nomes por sua ordem (Mem. sobre a prior., etc., pag. 213) vem por estas alturas o Cabo do Sacramento; haverá erro de leitura e será Cabo de S. Cremente com a orthographia então usada? N'este caso a nomenclatura de Freire estaria mais uma vez de accordo com a do Esmeraldo.

As latitudes ou «graos de ladeza» dadas por Duarte Pacheco não se afastam muito das que hoje se admittem. Sendo para notar que as citadas no texto differem ás vezes das que estão reunidas em uma taboada geral, o que sem duvida é devido a erros de copia. As que se referem á parte da costa que nos occupa são as seguintes:

No Esmeraldo Roteiro de Castilho
Cabo do Monte 6° 40' 6° 44'
Cabo Mesurado 6° 20' 6° 19'
Rio dos Cestos 5° 30' 5° 26'
Cabo das Palmas 4° 22'

A divergencia maior no Cabo das Palmas, é devida sem duvida, a ter o copista omittido os minutos.

Estas aproximações foram feitas rapidamente e de modo algum as tenho por seguras, pois levantam não poucas difficuldades, cuja discussão saíria completamente do plano n'este trabalho.

[[81]] Com quanto todo este trabalho se prenda á questão tão disputada da prioridade do descobrimento da costa occidental da Africa, e particularmente d'esta costa da Malagueta pelos portuguezes, mui deliberadamente a não tenho querido tratar, porque, com prefeita sinceridade e desprendido de todo o falso patriotismo a julgo fóra de contestação. No entanto, não posso deixar de recordar que Villaud de Bellefond, diz do Rio dos Cestos, que fôra assim chamado pelos portuguezes: «a cause d'une espèce de poivre qui y croit, quils appellent sextos:» e em outra parte, fallando dos negros da Costa, diz: le peu de langage qu'on peut entendre est français. Ils n'appellent pas ce poivre sextos a la portugaise, ni grain a la hollandaise, mais malaguette.» É difficil accumular tantos e tão palmares erros em tão poucas palavras! Pena é que estas ridiculas asserções fossem admittidas por escriptores serios e de boa nota.

[[82]] Veja-se a p. 25.