[[83]] Taes foram as viagens feitas pelos hespanhoes no anno de 1475, de que falla D. Diogo Ortiz de Zuniga (Annales ecl. y sec. de Sevilla, p. 373. Madrid, 1677); e outras levadas a cabo, ou projectadas, no anno de 1478, a que se refere um documento citado por Navarrete (Coll. t. II, pag. 386). Mas logo no anno seguinte de 1479, feitas as pazes com Hespanha, se reconheceram os direitos de Portugal ao exclusivo do commercio de Guiné. Veja-se tambem em Garcia de Rezende (Chron. d'elrey D. João III, cap. XXXIII e cap. LXXIII) a relação das duas embaixadas enviadas a Inglaterra em resultado dos preparativos, feitos por João Tintam e Guilherme Fabiam, por ordem do duque de Medina Sidonia, para passar a Guiné, no anno de 1481; e annos depois, no de 1484, em virtude de egual tentativa do conde de Penamacor. Em um e outro caso foram desde logo dadas ordens expressas para que taes viagens não tivessem logar, sendo mesmo o conde de Penamacor encarcerado na torre de Londres. Sobre estas e outras reclamações diplomaticas, veja-se o que diz o visconde de Santarem (Recherches sur la déc., etc., p. 198 a 222).

[[84]] (Annaes de el-rey D. João III por fr. Luiz de Sousa, publicados por Alexandre Herculano, p. 374.) Os plenipotenciarios francezes, cujos nomes citei com a orthographia usada nos Annaes, eram: Antonio du Prat, chanceller de França, que abraçando em edade já avançada o estado ecclesiastico, veiu a ser arcebispo de Sens, cardeal e legado a latere: o bem conhecido Anne de Montmorenci, que então ainda não fôra elevado á dignidade de condestavel, sendo simplesmente grão mestre: e provavelmente João de Gontault, barão de Biron, que consta fôra empregado em missões diplomaticas junto do imperador e do rei de Portugal. No entanto não o encontro entre os almirantes de França, sendo este cargo desempenhado, na data das negociações, por Philippe de Chabot, conde de Charny: é porém possivel, que exercesse as funcções de almirante temporariamente e no impedimento do titular.

Estas negociações sobre as viagens dos francezes, e as cartas de marca, continuaram por muito tempo, passando a França o conde da Castanheira, e depois Bernardim de Tavora. Este ultimo levava, ao que parece, instrucções para offerecer ao chanceller, ao grão-mestre e ao almirante, quatro mil cruzados a cada um, em cada anno, para os dispor melhor em favor dos interesses de Portugal. Veja-se (Ann. d'el-rei D. João III. p. 370 e 379), e o que diz o visconde de Santarem (Recherches sur la déc. etc. p. 216 e seguintes).

[[85]] Os capitulos de concerto foram passados a 11 de julho de 1531. Mais tarde os nossos direitos foram tambem reconhecidos no tratado concluido em Lyão a 14 de julho de 1536, e nas cartas patentes de Francisco I, datadas de Valença e de Lyão de 8 e 27 de agosto do mesmo anno. Veja-se o visconde de Santarém (Recherches, etc., pag. 219).

[[86]] Em um extenso e curioso despacho, de que vi o original na Torre do Tombo (Corp. Chron. p. I, maço 47, doc. 75).

[[87]] Veja-se (Delle nav. et viagg., etc. III, p. 417, v.º ed. de 1565).

[[88]] Annaes d'el-rey D. João III, p. 306.

[[89]] (Ibid., p. 404.) Deve-se notar, que o conde se não refere unicamente ao trato da droga, mas ao commercio de toda a costa, pois a palavra malagueta significa aqui a região e não a especiaria. Encontra-se muitas vezes, nos escriptores d'aquelle tempo, empregada a expressão a malagueta, por costa da Malagueta.

Se este documento é, como parece, do anno de 1542, segue-se que as viagens dos francezes haviam começado pelos annos de 1513 ou 1514, um pouco mais cedo do que suppõe o visconde de Santarem (Recherches, etc., pp. 213-223).

[[90]] As narrativas d'estas viagens, publicadas por Eden e outros, foram depois reunidas na importante collecção de Hakluyt. Não tive esta obra á minha disposição, e só póde consultar a versão franceza má e incompleta, que faz parte da (Hist. gén. des voyages, etc. II p. 242 e seguintes. Paris, 1746).