«Assim, pois, o emigrado immoral e affeito ao crime é um individuo inutil.

«Isto posto, indaguemos qual a utilidade, que nos póde sobrevir da colonia portugueza.

«Estudemos pela theoria dos factos apoiados nos grandes mestres, a historia e o tempo.

«Em que consiste o merecimento do braço portuguez?

«Somos forçados a retirar os olhos cobrindo o rosto; pois o quadro que nos offerecem a lavoura, a arte e a industria de nossa terra, é o mais digno de lastima, por mercê da actividade portugueza.

«Como causa, quaes os effeitos da intelligencia d'essa colonia?

«Entre nós, provavelmente, ás sciencias, á litteratura, ás bellas artes nada tem aproveitado; antes as letras, os verdadeiros talentos de nossa patria teem soffrido atroz violencia (sic), indigna opposição da parte d'ella.

«E quaes teem sido as provas da grandeza d'alma portugueza?

«As provas do sentimento, da moral, da virtude, da honestidade do cidadão portuguez temol-as de sobejo ainda que esqueçamos o quanto sabe ser elle ingrato; porque iremos encontral-o em toda a parte—como um ente dissoluto; em todas as situações—como um hypocrita; na mais infima á mais elevada posição—como um cynico perante a lei, diante de Deus um atheu e dos homens uma vibora.

«Não se presta o colono portuguez ás luctas da agricultura nem sua cabeça percebe o hymno que se entoa nas officinas, nos templos do trabalho honesto, porque fecha os olhos, cerra os ouvidos á voz da consciencia, aos gritos da virtude e aos arrojos da concepção humana.