—Pouco. No Porto parece-me que não andou bem; era uma terra...
«Fez isso de proposito—interrompeu o meu companheiro de viagem. Se o imperador tratasse cá bem os portuguezes, os brazileiros deitavam-n'o a voar. Foi para agradar. O imperador anda a tremer de medo.»
A resposta indignou-me.—Não posso acreditar, repliquei eu: e o que affirma seria, se assim fosse, uma acre censura para os brazileiros; mas, repito, o que diz não póde ser.
«Pois póde, exclamou de repente o meu outro visinho. Póde e assim mesmo é que é; o sr. é um idealista, que julga que os reis têem parentes, idéas e sentimentos; está enganado, os reis têem um throno e nada mais; percebe? Foi para agradar aos brazileiros, pois que duvida?
—O sr. é brazileiro? perguntei eu.
«Não sr. sou portuguez, mas tenho estado muitas vezes no Pará e vim de lá ha seis mezes. Ora ouça...
Fiquei curioso e attento.
«Ha no Brazil dois partidos, começou o meu visinho, liberal e conservador; as coisas prosperavam sob o governo do partido liberal, mas algumas provincias começaram a pensar em se constituirem em republica; o imperador chamou ao poder o visconde de Rio Branco, chefe do partido conservador, e este para onerar as provincias que sonhavam com a republica, mandou-lhes presidentes com instrucções para destruirem por todos os modos o thesouro da provincia; tinham uma grande recompensa por isso, e em breve tempo se desempenharam do encargo.
—Honrosissimo encargo!
«No Pará manifestou-se com grande força, sob o dominio do partido conservador, um odio violento e tenaz contra os portuguezes, e este odio, que está em todos os naturaes, achou um orgão n'um jornal de que deve ter ouvido fallar A Tribuna.